Oi, eu sou o Jair, trabalho com fotografia e design desde os 16 anos de idade, sempre levei as duas carreiras em paralelo. Algumas vezes estou trabalhando mais focado em fotografia e em outros momentos mais focado em design, mas em nenhum momento houve um abandono de uma das áreas. Gosto muito de ambas e um dia ainda espero poder trabalhar de uma forma completamente unificada com as duas profissões.
Durante um bom tempo algo me incomodou profundamente, o irônico fato de cuidar diariamente do branding de várias marcas e não tirar um tempo pra cuidar do próprio branding. E conversando com amigos da mesma área, percebo que não sou o único. Então criei este projeto como um esforço para trabalhar a minha marca pessoal e, diria que de certa forma uma reavaliação íntima. O desafio é enorme, nunca imaginei que teria tanto trabalho pra mostrar ao mundo a marca que eu mais conheço e criar um visual em que a única pessoa que precisa ficar feliz com o processo e o resultado seja somente eu. Chega a ser um pouco egocêntrico um projeto que não é feito com o objetivo de atingir um público ou agradar a maioria dos olhos, não tentei me limitar a isso, mas nem tão-pouco tentei criar algo banal e sem sentido, muito pelo contrário, tentei criar algo com um sentido tão profundo que vá além do que podemos ver em um primeiro momento. Tanto que agora eu tenho um desafio, tão grande quanto a criação. O desafio de apresentar os “porquês”.
Tudo começou em um dia normal de trabalho em um pequena agência que eu trabalhava em Florianópolis, sempre havia algumas conversas paralelas e não sei muito bem quem propôs uma brincadeira. As regras eram simples: cada um contaria uma história e ao final os demais teriam de dizer se era mentira ou verdade, eu contei a seguinte história.


“Quando eu tinha mais ou menos uns 5 anos de idade eu estava carpindo uma roça junto com a minha família, era perto do meio dia e o sol queimava a pele como em quase todos os dias de “lida” na roça, assim tudo se manteve por um bom tempo até que o clima começou a mudar, o vento começou a soprar mais forte, o ar começou a esfriar, nada preocupante até então, afinal a cidade onde eu morava tinha essas mudanças bruscas de temperatura, acontece que desta vez a mudança no clima não vinha sozinha, os pássaros começaram a voar em um único bando, pássaros de várias espécies voando juntos e dava de perceber pela maneira como voavam que fugiam de algo no horizonte, os animais do sítio começaram a se agitar e instintivamente também, olhávamos para o horizonte procurando explicação, momentos depois, quando percebi o que vinha aparecendo no horizonte paralisei de medo, uma gigantesca sombra negra engolia tudo por onde passava, corremos imediatamente, eu estava completamente apavorado, nesta época eu ainda sentia medo de punições divinas ou coisas do tipo, quando chegamos em casa o meu pai foi cuidar dos animais do sítio que estavam inquietos e minha mãe mandou eu e minha irmã lavar os pés para deitarmos, neste momento estava completamente noite, céu estrelado, e a minha mãe não conseguia esconder o nervosismo enquanto acendia duas velas bentas que eu e minha irmã ganhamos quando fomos batizados, não lembro ao certo quanto tempo levou, mas quando menos esperávamos o dia já tinha amanhecido novamente.”
Naturalmente meus colegas de prontidão em seus computadores falaram que era uma bela mentira, mas acontece que é um inusitada verdade, o dia em que essa história se passou foi no dia 3 de novembro de 1994, na cidade de São Joaquim, Santa Catarina, Brasil. Não lembro se no dia seguinte ou alguns dias depois, quando o dono da fazendo foi nos visitar, ele nos contou que tinha acontecido um eclipse solar, ou melhor, um eclipse solar total. Este eclipse solar pôde ser visto em quase todo o Brasil, mas somente uma pequena parcela de pessoas puderam acompanhar a sombra mais densa, a raríssima faixa de penumbra onde a lua torna completamente noite tudo que estiver sob sua sombra.
Pode parecer uma história boba, mas foi este fato que me fez sair do sítio em busca de mais conhecimento, de explorar e conhecer mais sobre o mundo em que habito, consequentemente isso também moldou minha maneira de ser e é por isso que eu escolhi justamente esta história para ilustrar o meu branding, a essência do meu trabalho continua sendo a de um menino capinando a roça, mas também um menino que gosta de arriscar, testar, imaginar e porque não, errar.


Obrigado :)




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